Fitonutrientes
Fitonutrientes é uma palavra que resulta da junção da palavra grega phyto, que significa “planta”, e da palavra latina nutrientis, que designa os componentes dos alimentos necessários para uma função fisiológica normal. Também se utiliza a palavra fitoquímicos para designar o mesmo. No fundo são compostos bioactivos, naturais, encontrados em alimentos vegetais, e que promovem a função fisiológica normal do organismo, trazendo benefícios para a saúde.
Fitonutrientes encontrados no Mangostão:
- Xantonas
- Proantocianidinas
- Catequinas
- Polissacarídeos
- Quinonas
- Estilbenos
- Esteróis
Os fitonutrientes do Mangostão mais fortes, e também mais investigados, são as xantonas.
Xantonas
As xantonas do Mangostão são uma classe de fitonutrientes que só existe neste fruto. Elas são bioflavonóides (ou simplesmente flavonóides) polifenólicos. Na natureza existem mais de 200 xantonas conhecidas, das quais cerca de 40 são do Mangostão. As xantonas possuem actividade biológica documentada, que captou a atenção da comunidade médica há várias décadas.
A primeira xantona do Mangostão a ser isolada foi a xantona mangostin. Ela foi isolada em 1855, por um cientista alemão chamado Schmid. Este cientista, deu o nome de xantona a este bioflavonóide polifenólico, visto que ela tinha a cor amarela, e a palavra grega para amarelo é xanthos.
Em 1979, descobriu-se que a xantona mangostin tinha uma significante actividade anti-inflamatória promovia a curar de úlceras. [1] Desde então, dezenas de trabalhos de investigação sobre as xantonas, demonstram que elas têm actividade anti-tumoral, anti-microbiana, anti-histamínica, anti-inflamatória, antioxidante e que têm efeito protector do aparelho gastrointestinal.
Para mais informações sobre as xantonas do Mangostão, pode ler a página que lhes dedicámos aqui.
Mas enquanto as xantonas parecem ser, segundo os estudos, os mais importantes fitonutrientes do Mangostão, este fruto tem também catequinas, polissacarídeos, proantocianidinas e esteróis, que também desempenham papéis importantes nos benefícios que o Mangostão proporciona.
Proantocianidinas
As proantocianidinas são bioflavonóides activos e podem ser encontradas não só no Mangostão, mas em inúmeras plantas, inclusive em sementes de uva, casca de pinheiro (picnogenol), casca de limoeiro e folhas da árvore de avelã.
As proantocianidinas são consideradas como um antioxidante 20 vezes mais potente que a vitamina C e 50 vezes mais que a vitamina E, e aumentam também as células exterminadoras naturais, ou células NK (do inglês “NK cell” que significa “natural killer cell”), que são componentes importantes na defesa imunitária não específica já que identificam as células que estão comprometidas devido a infecção viral, destruindo-as.
Mas este é apenas um exemplo, porque as proantocianidinas desempenham um importante papel que não se restringe ao fortalecimento do sistema imunológico. Existem diversos artigos e estudos sobre estes bioflavonóides, que apontam para efeitos anti-tumorais e neuroprotectores.
Há algum tempo foi veiculada na televisão uma notícia que dava conta das propriedades anti-tumorais dos bioflavonóides das grainhas das uvas. Os cientistas estão a investigar precisamente as proantocianidinas. E diz-se agora que se poderá vir a desenvolver, no futuro, medicamentos com actividade anti-tumoral, baseados nestes bioflavonóides. Mas, para os obter, não é necessário comer coisas não comestíveis como sejam as grainhas de uva ou a casca de pinheiro (ou limoeiro) ou folhas da árvore da avelã, porque na verdade a delícia para o paladar que é o sumo de Mangostão tem-nos em concentrações bastante elevadas!
Catequinas
As catequinas são fitonutrientes da família dos polifenóis, e têm uma forte acção antioxidante. Estão presentes de forma natural em algumas plantas, nomeadamente na planta do chá verde (Camellia sinensis) e no Mangostão, sendo as catequinas da planta do chá verde as mais estudadas pelos investigadores. Na verdade, são inúmeros os estudos que demonstram que os estes polifenóis apresentam propriedades que actuam de forma benéfica em algumas doenças como a diabetes mellitus tipo I, as cardiopatias, as infecções virais, as inflamações em doenças degenerativas ou mesmo o cancro e o envelhecimento.
A relação directa entre estes antioxidantes naturais e a possibilidade de poder controlar o peso está demonstrada em diversos estudos científicos e pressupõe a existência de hábitos de vida saudável. De acordo com as conclusões de um estudo japonês publicado na revista Obesity, o consumo regular de chá verde com um teor mais elevado de catequinas pode ajudar a reduzir a gordura corporal, ao mesmo tempo que reduz o perímetro da cintura. Ao fim de 12 semanas constatou-se que o grupo que ingeriu mais catequinas perdeu, em média 1,7 quilos. Verificou-se ainda a redução da gordura abdominal (circunferência da cintura) em 2,5cm e a da gordura visceral em 10,3cm3. [2]

Outros estudos indicam que as catequinas podem actuar na inibição de carcinógenos e no desenvolvimento dos tumores. As catequinas exibem ainda propriedades antioxidantes, semelhantes às das vitaminas C (ácido ascórbico) e E (tocoferol), que ajudam a inibir a acção dos radicais livres, protegendo o organismo de algumas doenças, como o cancro. [3]
Estes antioxidantes naturais também parecem actuar ao nível da protecção cardiovascular. Estudos sobre oxidação lipídica, realizados “in vitro” e em alguns animais, revelam que certas catequinas são cerca de 10 vezes mais eficazes, quanto comparadas com outros antioxidantes, como a vitamina E.
Outros estudos revelam que a ingestão das catequinas presentes no chá verde poderão reduzir o nível de colesterol e, em particular, do colesterol LDL. Uma conclusão que resulta de estudos efectuados em animais com um regime alimentar rico em gorduras saturadas, aos quais é administrada esta substância. [4] [5]
Dados epidemiológicos confirmam ainda a importância da ingestão de antioxidantes, enquanto fitonutrientes que actuam na protecção cardiovascular. Tudo indica que a reduzida incidência de doença coronária foi correlacionada com a existência de elevados níveis plasmáticos de vitamina E, provavelmente resultado de uma dieta rica em antioxidantes. O mesmo se parece aplicar com a ingestão de complementos dietéticos.
É recomendável que o sumo de Mangostão seja complementado pela ingestão de chá verde natural, mas existem produtos que misturam chá verde com sumo de Mangostão. Esses produtos não são recomendáveis. É sempre preferível beber o sumo de Mangostão, nas quantidades recomendadas, e o chá verde natural acabado de fazer, na quantidade que se entender.
Polissacarídeos
Os polissacarídeos são muito abundantes no Mangostão. Conhecidos por terem efeitos benéficos na saúde devido às suas fortes propriedades anti-cancerígenas e anti-bacterianas, ajudam a bloquear a capacidade que uma célula maligna tem de se colar a células saudáveis. Isto ajuda a impedir a propagação do cancro. Investigadores nipónicos isolaram diversos polissacarídeos do Mangostão que ajudaram a diminuir tumores murinos (um tumor cancerígeno em ratos). [6]
Outro estudo que analisou os polissacarídeos do Mangostão descobriu que eles são eficazes contra bactérias intracelulares (como a Salmonella enteritidis). Os resultados do estudo mostraram que os potentes polissacarídeos do Mangostão mataram todas as bactérias na cultura. [7]
Quinonas
As quinonas (ou benzoquinonas) são conhecidas pelas suas propriedades anti-bacterianas. Na verdade, as quinonas têm uma estrutura molecular semelhante à tetraciclina, um antibiótico comum. Além disso as quinonas também inibem fortemente os radicais livres. [8]
Estilbenos
Estilbenos são uma defesa das plantas contra fungos. O espantoso nos estilbenos é que eles mantêm as suas propriedades anti-fúngicas, mesmo quando são ingeridos. Além disso, os estilbenos são também potentes antioxidantes. [9]
Esteróis
Os esteróis são lípidos ou gorduras de plantas. O suplemento mais conhecido nesta categoria é o ácido gordo ómega 3. Os esteróis do Mangostão são encontrados nas suas sementes, pelo que, o sumo integral de Mangostão contém estes esteróis. Actualmente a investigação acerca dos esteróis do Mangostão peca por défice, pelo que não podemos avançar com os benefícios que estes lípidos têm para a saúde, já que não existem estudos que os consubstanciem.
Fibras
Embora não sejam fitonutrientes, as fibras trazem inegáveis benefícios para a manutenção da saúde gastrointestinal. No sumo integral do Mangostão as, quantidades de fibra são obviamente significativas, já que na casca elas existem em abundância.
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[1] Shankaranarayan D, Gopalakrishnan C, Kameswaran L., Pharmacological profile of mangostin and its derivatives. Arch Int Pharmacodyn Ther. 1979 Jun;239(2):257-69. Ver no PubMed
[2] TOMONORI NAGAO, TADASHI HASE AND ICHIRO TOKIMITSU; A Green Tea Extract High in Catechins Reduces Body Fat and Cardiovascular Risks in Humans; Obesity; 15:1473-1483, 2007.
[3] UESATO, S., et al. Inhibition of green tea catechins against the growth of cancerous human cólon and hepatic epithelial cells. Cancer Letters. v.170, p.41-44, 2001.
[4] SABU, M.C. SMITHA, K., KUTTAN, R. Anti-diabetic activity of green tea polyphenols and their role in reducing oxidative stress in experimental diabetes. J. Ethnopharmacol. V. 83, p.109-116, 2002.
[5] SAFFARI, Y., SADRZADEH, S.M.H. Green tea metabolite EGCG protects membranes against oxidative damage in vitro. Life Sciences. V.74, p.1513-1518, 2004.
[6] Michio FUJIHARA, Yumiko Kurata, Yasuyuki Kosaka, Prasit Chanarat, Terukazu Nagumo. «Antitumoral polissacarídeos da pericarb de mangostão '. Chiang Mai Bull Assoc Med Sci, Vol. 30, Suplemento N º 1 1997
[7] Chanarat p. Chanarat N. Fikojara M. Nagumo T. (1997) 'Immunopharmacological atividade do polissacarídeo da pericard de mangostão Garcinia; fagocítica intracelular matando actividades,' J Med Assoc Thai, 1: S149-154
[8] O.I. Shadryo et al. (2002) 'Quinonas como fragmentação inibidores de radicais livres em moléculas biologicamente importante. " Free Radical Research
[9] Jang MS, Cai PT, Udeani GO, abrandando KV, Thomas CF, Beecher CWW, Fong HHS, Farnsworth NR, Kinghorn AD, Mehta RG, Lua RC, Pezzuto JM, 1997. Câncer chemopreventive actividade de resveratrol, um produto natural, derivados de uvas. Science, 275, 218-220.